Uma conferência em Abu Dhabi confirmou que ‘Bitcoin é a forma de dinheiro mais islâmica já inventada

Bitcoin permanece a forma mais justa, confiável e imutável de transacionar valor online, sem a necessidade de intermediários tradicionais. Mas o que ‘Jaiz Money’ constitui no Islã

Embora muitos especialistas interpretem mal essas palavras sagradas, Harris Irfan, CEO da Cordoba Capital Markets, aponta para o simbolismo envolvido. Ele diz, em essência, que o hadith implica que qualquer coisa que possa ser trocada pelo seu valor à vista pode ser considerada uma boa moeda.

O fiat continua sendo o único meio para a maioria das trocas econômicas no mundo. No entanto, o próprio fiat é baseado no processo de riba (juros). O dinheiro fiduciário é contaminado por juros, o que é inaceitável no Islã. Porém, como o dinheiro fiat permanece tão predominante, as pessoas não percebem sua natureza. Bancos criam dinheiro por meio de reservas fracionadas e criação de crédito, o que pode ser considerado não permitido no Islã.

Mas isso não se aplica ao caso do Bitcoin, a maior criptomoeda do mundo. Até mesmo novas criptomoedas como a Caiz estão montando seus ecossistemas econômicos sobre princípios islâmicos.

Há argumentos tanto a favor quanto contra o Bitcoin. Embora muitos estudiosos apoiem o Bitcoin como uma moeda justa e transparente, outros levantam preocupações sobre sua volatilidade e natureza especulativa. Enquanto o Mufti Muhammad Abu-Bakar o considera permitido (jaiz), já que o Bitcoin é visto como um meio de pagamento, disponível em exchanges de moedas e aceito por várias lojas e plataformas, o xeque Haitham al-Haddad, um respeitado estudioso islâmico, adverte que as oscilações imprevisíveis do preço do Bitcoin poderiam se assemelhar a jogos de azar (maysir), tornando-o potencialmente haram sob certas interpretações.

Os termos halal (lícito) e haram (proibido) são conceitos amplos no Islã que se aplicam a todos os aspectos da vida, incluindo alimentação, comportamento, negócios e ética. Nas finanças islâmicas, jaiz (permitido) é usado especificamente para indicar se uma transação está em conformidade com os princípios islâmicos, como evitar riba (juros), gharar (incerteza excessiva) e atividades haram (como jogos de azar ou negócios relacionados a álcool). Com esse entendimento, vamos analisar a posição do Bitcoin nas finanças islâmicas.

A Caiz promove serviços financeiros livres de riba, como empréstimos e crédito. E, como as transações são lastreadas por ativos do mundo real e stablecoins, elas são isentas de riscos, enfatizam uma divisão de lucros justa e estão alinhadas aos valores islâmicos.

Especialistas chamam o Bitcoin de a próxima revolução, capaz de lidar com disparidades econômicas, garantir uma distribuição justa da riqueza e descentralizar a criação de riqueza em muitas sociedades islâmicas. O Bitcoin e o Caiz podem abrir oportunidades de investimento ético e capacitar a comunidade muçulmana global por meio de produtos e serviços financeiros inovadores, alinhados aos valores islâmicos.

À medida que o Bitcoin ganha adoção mais ampla e surge como uma alternativa, as discussões precisam continuar para moldar o futuro das finanças digitais islâmicas.

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