3 de agosto, ex-economista da ex-Reserva Federal: dados econômicos podem estar distorcidos e a autoridade pode interpretar mal a situação
A ex-economista da Reserva Federal Claudia Sahm (Sahm Rule) afirmou que, se a autoridade ignorar por muito tempo os sinais econômicos da base da sociedade, pode interpretar erroneamente o cenário econômico devido a distorções nos dados macro.
Sahm apontou que a “resiliência” demonstrada pelos dados de consumo atuais nos EUA não se deve ao crescimento da riqueza das famílias; em vez disso, estaria mais relacionada ao aumento do endividamento doméstico e à redução dos padrões de consumo para manter o padrão de vida. O mais recente “Livro Bege” da Reserva Federal mostra que quase metade das regiões observadas pelas autoridades monetárias identificou consumidores pagando despesas do dia a dia por meio de cartões de crédito, empréstimos de pequeno valor e outros meios.
Ao mesmo tempo, a pressão sobre o consumo na base continua se intensificando. Em algumas regiões, consumidores estão diminuindo o consumo de alimentos mais caros devido aos preços altos, e a demanda por doações de alimentos enfrentada por instituições de caridade chegou a superar os níveis registrados durante a crise financeira e no período da pandemia.
No mercado de trabalho, Sahm disse que há uma discrepância entre os dados oficiais de baixa taxa de desemprego e a percepção real dos trabalhadores. Entrevistas conduzidas pela Reserva Federal indicam que alguns trabalhadores descrevem o ambiente de emprego atual como uma situação de “sobrevivência” e não de “estabilidade”. Devido à preocupação com a incerteza econômica, a vontade de trocar de emprego diminui; mesmo diante de salários estagnados, os funcionários optam por permanecer.
Sahm alertou que, embora as pressões econômicas na base estejam se intensificando, algumas empresas, ao perceberem o aumento do custo de vida de seus funcionários, começam a reajustar salários de forma proativa, o que pode voltar a elevar o risco de inflação. Ela acredita que, como uma instituição guiada por dados, a Reserva Federal não deve depender apenas de estatísticas macro; precisa observar as percepções reais das famílias comuns sobre preços e emprego. Caso contrário, pode deixar passar sinais importantes de mudanças na economia.