VenezuelaMeu país lindo e cheio de cores, tão maltratado e, ainda assim, amado. O lugar onde eu sempre quis viver... Eu viajava, mas sabia que meu lar estava na Venezuela; lá fora eu era só um turista.

Foram anos difíceis e um mês complicado depois dos 2 terremotos. Sou grato à vida por não ter acontecido nada na minha casa, embora eu tenha visto rachar o prédio que fica na diagonal.

Meu hospital, sim! Meu, porque eu vivo nele todos os dias, porque respiro todos os dias nele. Ele me proporcionou a melhor experiência: momentos que muitos médicos não conhecem nem conhecerão, nem têm a necessidade ou a possibilidade de viver esta parte.

Ainda há muito trabalho a fazer; temos tanta coisa para resolver para os venezuelanos. Já faz 1 mês e seguimos como na primeira semana... Cheios de necessidades, incapazes de conseguir atender nossa gente com o que ela precisa, nos organizando em casas e escritórios, revisando o que vamos fazer e quando poderemos fazer.

Hoje entendi por que tantas pessoas tiveram que deixar a Venezuela: o que teria acontecido se esses venezuelanos no exterior não estivessem procurando ajudar, amparar suas famílias.

Estou feliz por ser da área da Saúde, por estar na primeira linha, embora minha mente tenha demorado a entender que isso não era um filme de ficção. Foi preciso descer até La Guaira, ir a cada região onde um prédio desabou, passar a dormir uma ou duas horas a cada 24 horas por mais de 12 dias.

Ainda estamos no local, ainda que meus meninos no hospital precisem de mil coisas para poder ter esperança. Obrigado a todos que têm ajudado!