A disputa do BIP 110, em essência, não é sobre se o lixo informacional deve ou não ser regulado, mas sim sobre se a “camada de consenso” pode ou não ser usada para impor limites ao comportamento de outras pessoas.

Adam Back foi bem direto: o consenso técnico do Bitcoin em si é o sistema imunológico; qualquer mudança que não tenha sido debatida repetidamente por centenas de desenvolvedores não passa. Quer filtrar o OP_RETURN? Pode, mas não mexa na camada de consenso — crie uma bifurcação separada.

Michael Saylor seguiu essa linha e deu outro golpe — elevando uma disputa de estratégia de retransmissão a uma alteração rígida que pode deixar transações atualmente válidas sem efeito; esse precedente é muito mais perigoso do que o lixo informacional em si.

Minha visão: o “lixo” na cadeia é uma questão de gosto, enquanto a camada de consenso ser instrumentalizada é um problema estrutural. Assim que abrirem a “brecha” de usar mudanças de consenso para restringir o comportamento do usuário, as propriedades sem permissão do $BTC começam a rachar; na próxima vez, talvez nem seja o OP_RETURN.

Os conservadores vencerem esta rodada, na verdade, é uma boa notícia para a narrativa de longo prazo do Bitcoin.

#Bitcoin #BIP110 #Descentralização