Consequências da divulgação financeira de Trump: será que um bilhão de dólares em criptomoedas constitui uma crise ética em Washington?
Em um desenvolvimento notável, o presidente dos EUA, Donald Trump, revelou receitas que ultrapassaram 1,4 bilhão de dólares provenientes de seus projetos ligados a criptomoedas durante o ano de 2025, de acordo com a divulgação financeira anual publicada pelo U.S. Office of Government Ethics em um documento que ultrapassou 900 páginas.
Esse montante expressivo, que superou suas receitas de hotéis e arenas famosas que ajudaram a construir seu nome, reacendeu o debate sobre conflitos de interesse na Casa Branca e levou a senadora democrata Kirsten Gillibrand a renovar seus apelos por uma legislação que impeça executivos eleitos e seus cônjuges de emitir ou patrocinar ativos digitais.
De onde vieram os bilhões?
Os documentos de divulgação mostraram que a riqueza digital do presidente Trump se concentra em duas fontes principais:
1. Moeda $TRUMP Meme Coin (Meme Coin): cerca de 635 milhões de dólares chegaram como pagamentos de “royalties” e taxas de licenciamento da moeda meme digital que leva o seu nome, que foi lançada na plataforma Solana (Solana) dias antes de sua segunda posse. Essa moeda viu uma queda acentuada em seu valor: despencou cerca de 97% em relação ao seu nível histórico, causando perdas severas para pequenos investidores que a compraram no auge.
2. Projeto World Liberty Financial: trata-se de um projeto de financiamento descentralizado (DeFi) que foi cofundado por Trump com seus filhos e que alcançou cerca de 800 milhões de dólares, já que as receitas das vendas de seus tokens digitais ultrapassaram 520 milhões de dólares.
Além disso, a divulgação revelou que Trump possui uma carteira privada de criptomoedas avaliada em mais de 50 milhões de dólares em Bitcoin e entre 5 e 25 milhões de dólares em Ethereum.
Desdobramentos políticos e legais
Essa divulgação provocou uma onda de indignação partidária, já que os democratas a viram como uma evidência incontestável de conflito de interesses, especialmente porque o presidente Trump tem uma posição que lhe permite influenciar políticas que regulamentam esse setor.
A senadora Gillibrand, que é uma das negociadoras mais proeminentes sobre o projeto de lei CLARITY Act (que busca estabelecer um quadro regulatório abrangente para criptoativos nos EUA), enfatizou a necessidade de incluir leis éticas que impeçam "funcionários públicos e seus cônjuges de emitir moedas meme". Ela considerou que este "requisito lógico" deve receber apoio de ambos os partidos, alertando que deixar essa porta aberta enfraquecerá a proteção ao consumidor e abrirá espaço para o uso de cargos para ganhos pessoais.
Por outro lado, o presidente Trump defendeu seus lucros, afirmando em uma entrevista de televisão que "não é ilegal" e "não há nada de errado", e apontando que seus filhos administram esses investimentos por meio de fundos fiduciários cegos — o que foi veementemente negado por críticos, que descreveram essa prática como uma forma de suborno político.
Fontes confiáveis de notícias
Este relatório se baseou em fontes principais e confiáveis, incluindo:
• Relatórios oficiais: o documento de divulgação financeira emitido pelo U.S. Office of Government Ethics (Escritório de Ética Governamental dos EUA), do qual se basearam todos os principais relatórios jornalísticos.
• Agências de notícias e grandes jornais: como ABC News, BBC, Yahoo Finance e TheStreet.
• Plataformas especializadas de criptomoedas: como CoinMarketCap e KuCoin, que acompanharam os detalhes da divulgação e suas análises.
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