O Banco do México (Banxico), o banco central do país, advertiu que as stablecoins poderiam ameaçar a estabilidade financeira se seu crescimento continuar sem uma regulamentação internacional coordenada. Em seu novo relatório de estabilidade financeira, o Banxico destacou vulnerabilidades ligadas à dependência das stablecoins em ativos do Tesouro dos EUA de curto prazo, concentração de mercado e estruturas regulatórias divergentes no exterior.
O relatório — divulgado como parte da exploração anual do banco sobre riscos sistêmicos — ressalta a postura cautelosa do México em relação aos ativos digitais, mesmo enquanto outras nações avançam em estruturas de stablecoins. O Banxico disse que manterá uma "distância saudável" entre seu sistema financeiro tradicional e as criptomoedas na ausência de um framework global unificado.
Preocupações principais: liquidez, concentração e lacunas regulatórias
De acordo com as descobertas do Banxico, as stablecoins apresentam vários riscos chave:
Dependência forte de títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo — Os emissores de stablecoins têm respaldado cada vez mais seus tokens com dívida do governo dos EUA de curto prazo, uma dinâmica que liga seus perfis de liquidez de perto a outro segmento crítico dos mercados globais. Essa dependência poderia amplificar o estresse se as condições de mercado se deteriorarem inesperadamente.
Concentração de mercado — Um pequeno número de emissores de stablecoins controla uma grande parte do mercado (com dois emissores principais respondendo por cerca de 86 % da oferta), deixando o ecossistema vulnerável a estresse ou interrupção em algumas empresas chave.
Fragmentação regulatória — O Banxico observou que regras globais diferentes — como o quadro de Mercados em Cripto-Ativos (MiCA) da Europa e a proposta de legislação dos EUA como o Ato GENIUS — poderiam criar oportunidades de arbitragem e amplificar o estresse entre jurisdições devido a requisitos inconsistentes de reserva, resgate e proteção de depositantes.

