Por meses $BTC , os metais preciosos navegaram em uma onda de demanda por ativos de refúgio devido aos conflitos no Oriente Médio. No entanto, a dinâmica do mercado mudou fundamentalmente, à medida que os efeitos econômicos do conflito alcançam os mercados globais.

1. Avanço nas negociações EUA-Irã

Relatórios recentes indicam que os EUA e o Irã estabeleceram uma folha de rota de 60 dias voltada a garantir um acordo final de paz. Nesse progresso interino, o Tesouro dos EUA autorizou uma licença temporária para a entrega e a venda de petróleo iraniano, levando os preços do petróleo bruto a se acomodarem na faixa de cerca de US$ 78 por barril. Embora um conflito mais ameno normalmente reduza os prêmios de risco geopolítico, ele tem um efeito duplo sobre ativos de refúgio como o ouro em barra.

2. O Monstro da Inflação Assume o Centro do Palco

Apesar do avanço diplomático, quase quatro meses de intenso conflito regional já deixaram uma marca profunda nas cadeias globais de suprimentos e nos preços ao consumidor. Os investidores estão acordando para a realidade de que um acordo de paz não vai apagar instantaneamente as pressões inflacionárias embutidas no sistema.

🦅 Bancos Centrais adotam um tom mais hawkish

Como o ouro é um ativo que não rende (ou seja, não paga juros para mantê-lo), seus maiores inimigos são as taxas de juros elevadas e uma moeda fiduciária forte. Desenvolvimentos recentes reforçaram ambos:

O alerta do Fed: o presidente do Federal Reserve Bank of Chicago, Austan Goolsbee, expressou grandes preocupações, observando que o banco central está lidando com um problema de inflação bem acima da meta e caminhando na direção errada.

O efeito “Warsh”: a postura mais hawkish adotada pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh, deu um solavanco nos mercados. Os investidores estão cada vez mais precificando uma política monetária mais restritiva e possíveis aumentos de juros para combater a inflação persistente impulsionada pela energia.

Um greenback em alta: impulsionado por expectativas de juros mais altos por mais tempo, o Bloomberg Dollar Spot Index subiu mais de 1% desde a última reunião do Fed. Um dólar americano mais forte torna automaticamente o ouro precificado em dólares mais caro para compradores internacionais, agravando a venda.

O que vem a seguir para os traders?

Analistas de macro apontam que o ouro está atualmente preso numa apertada armadilha fundamental. A queda dos preços do petróleo poderia, eventualmente, enfraquecer o dólar e ajudar o ouro a recuperar o seu impulso estrutural positivo, mas o aperto monetário no curto prazo continua sendo um obstáculo agressivo.

Agora, todos os olhos se voltam para os dados do índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA que serão divulgados. Os traders esperam que o dado mostre uma aceleração nos preços ao consumidor. Se os números do PCE vierem “quentes”, provavelmente validarão a inclinação hawkish do Fed, mantendo os metais preciosos presos à faixa atual de US$ 4.000 a US$ 4.300 por um futuro previsível.

Aviso: Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou de negociação. Ativos digitais e de commodities envolvem riscos significativos.