Crypto.com apresentou oficialmente uma solicitação ao Escritório do Controlador da Moeda (OCC) nos Estados Unidos, buscando uma carta de banco fiduciário nacional — uma movimentação que poderia mudar fundamentalmente sua posição entre as entidades financeiras regulamentadas.

Para uma exchange nativa de cripto, solicitar uma licença de confiança do OCC é mais do que um passo de conformidade — é uma declaração de intenção. Se aprovada, a Crypto.com ganharia a capacidade de operar sob um guarda-chuva regulatório federal em vez de depender de permissões fragmentadas em nível estadual. Na prática, isso significa supervisão direta pelo OCC, maior transparência e acesso a capacidades de custódia e bancárias em todos os 50 estados sem exigir licenças separadas.

O momento é deliberado. O mercado dos EUA permanece cauteloso após anos de ações de fiscalização contra grandes exchanges, mas os caminhos regulatórios estão começando a se reabrir. Coinbase e Anchorage estavam entre as poucas empresas de cripto a obter cartas semelhantes em ciclos anteriores, sinalizando que o OCC está disposto a considerar instituições de ativos digitais que atendam seus padrões de risco e capital. A decisão da Crypto.com segue o mesmo caminho — sinalizando que quer fazer parte do núcleo financeiro regulamentado, e não apenas de um jogador periférico.

De uma perspectiva estrutural, uma carta de banco fiduciário dá a uma empresa permissão para guardar ativos, fornecer serviços fiduciários e integrar-se à rede financeira dos EUA sem se tornar um banco comercial completo. Isso é crucial para o modelo de crescimento da Crypto.com. Isso permitiria que eles oferecessem custódia em dólares, liquidação em fiat e gerenciamento de ativos tokenizados sob proteção federal — efetivamente fechando a lacuna entre operações de exchange e serviços de confiança institucional.

Isso também envia uma mensagem clara sobre onde a exchange vê a próxima fase do cripto. Com o volume de negociações se consolidando e a especulação do varejo diminuindo, a infraestrutura é a nova corrida. As exchanges estão se transformando em instituições híbridas — metade fintech, metade banco — com o objetivo de atender depósitos tokenizados, stablecoins e produtos de rendimento cripto regulamentados.

A aplicação de carta da Crypto.com pode ser vista como a base para essa transição. A empresa já possui licenças em Cingapura, na UE e em Dubai, mas os EUA sempre foram a peça ausente para a legitimidade global. A licença do OCC, se aprovada, a posicionaria entre as poucas exchanges reconhecidas legalmente como uma instituição fiduciária com carta federal — uma designação que poderia abrir portas para parcerias com o financiamento tradicional e até iniciativas de custódia apoiadas pelo governo.

Na minha opinião, este é um momento silencioso, mas definidor. A indústria está passando de sobrevivência para institucionalização, e a Crypto.com acaba de se posicionar na frente dessa fila. Seja a carta aprovada ou não, a intenção sinaliza uma mudança de tom — as exchanges não estão mais perseguindo volume, mas permanência regulatória.

Se esta licença for aprovada, espere um efeito dominó: outras grandes plataformas podem seguir o mesmo caminho, sinalizando que a tão esperada ponte entre bancos e blockchain está finalmente tomando forma legal.

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