O Irã fechou o Estreito de Hormuz no domingo, cortando quase um quinto do tráfego global de petróleo, depois que os Estados Unidos bombardearam suas instalações nucleares e de mísseis em uma campanha aérea antes do amanhecer.

Os ataques aéreos, que seguiram-se a ataques israelenses que destruíram grande parte da infraestrutura de mísseis do Irã, foram ordenados logo após a meia-noite e executados sob autorização direta do presidente Donald Trump.

O parlamento de Teerã votou no mesmo dia para bloquear a passagem pelo estreito, desencadeando medos imediatos nos mercados globais de energia. Essa decisão afeta os petroleiros que transportam petróleo e gás do Golfo Pérsico para regiões-chave, incluindo China, Europa e Sul da Ásia, e ameaça elevar os preços do petróleo acentuadamente uma vez que os mercados reabram mais tarde esta noite.

O regime iraniano respondeu rapidamente após os ataques israelenses atingirem múltiplos alvos ligados ao programa nuclear do Irã e centros de comando militar no início desta semana. Apesar do golpe ao arsenal do Irã, o Líder Supremo Ali Khamenei se recusou a recuar e prometeu 'danos irreparáveis' a qualquer intervenção dos EUA.

O Irã fez várias ameaças nos últimos dez dias após o que alegou ser um ataque israelense não provocado. A votação no parlamento para fechar Hormuz seguiu essas advertências e foi apoiada pelo próprio Khamenei.

Por que o Estreito de Hormuz é tão importante

O Estreito de Hormuz está na boca do Golfo Pérsico e há muito tempo é considerado uma das rotas de petróleo mais críticas do mundo. Petroleiros movimentaram cerca de 16,5 milhões de barris de petróleo bruto e condensado por dia através da passagem em 2024.

Isso inclui embarques da Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Irã. O estreito também é o caminho para mais de 20% do gás natural liquefeito global, a maior parte proveniente do Catar.

Operadores de transporte e governos já começaram a reagir antes de domingo. O governo do Reino Unido emitiu um aviso raro para embarcações comerciais que passam pela região, dizendo que hostilidades aumentadas poderiam interromper o transporte.

A Frontline Ltd., uma das maiores operadoras de petroleiros, confirmou que seria mais cautelosa ao oferecer petroleiros na área. O Irã já atacou navios mercantes no estreito antes, e o acúmulo de ameaças após os ataques israelenses levantou alarmes claros nos setores marítimo e energético.

Não há lei internacional que permita ao Irã bloquear Hormuz, então a medida está sendo aplicada puramente por meio de pressão militar. Mas o Irã não precisa enviar sua marinha. Os oficiais têm várias alternativas: barcos de patrulha rápidos, ataques com drones e ataques de mísseis costeiros.

Essas táticas são suficientes para tornar a passagem pelo estreito insegura para o tráfego comercial. A Quinta Frota dos EUA, junto com forças navais europeias, manteve uma presença na região, mas o risco já forçou alguns transportadores a atrasar ou redirecionar suas cargas.

O transporte global desacelera enquanto os preços do petróleo reagem.

As interrupções não se limitam ao Golfo. O transporte pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Áden caiu cerca de 70% em junho em comparação com os níveis normais vistos em 2022 e 2023.

Uma força liderada pelos EUA foi implantada nessas águas para proteger os navios, mas redirecionar o tráfego ao redor do Cabo da Boa Esperança na África do Sul tornou-se a opção mais viável. Esse caminho adiciona tempo e custo às remessas que vão da Ásia para a Europa, o que pode aumentar a inflação se a situação não melhorar.

Mas a medida não é isenta de riscos para o Irã. Fechar o estreito prejudica sua própria economia de exportação. O Irã depende fortemente do transporte de petróleo para fora do Golfo. Abriu uma instalação em Jask, na extremidade oriental de Hormuz, em 2021 para reduzir a dependência do canal principal, mas sua capacidade é limitada.

A decisão também pode ter um efeito contrário diplomaticamente, especialmente com a China, seu maior cliente de petróleo. A China usou seu veto no Conselho de Segurança da ONU no passado para defender o Irã de sanções ocidentais, mas esse apoio pode ser testado se as necessidades energéticas da China forem comprometidas.

Países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos são mais flexíveis. Riade pode enviar petróleo por um oleoduto de 746 milhas que liga seus campos de petróleo ao Mar Vermelho, evitando tanto Hormuz quanto o conflito intenso no sul do Mar Vermelho.

Os Emirados Árabes Unidos movimentam cerca de 1,5 milhão de barris por dia através de um oleoduto que chega a Fujairah, no Golfo de Omã. Mas Iraque, Catar, Kuwait e Bahrein não têm essas alternativas. Seu petróleo precisa passar por Hormuz, e a maior parte vai direto para os mercados asiáticos.

Analistas do SEB e do Saxo Bank também previram um aumento de $3–$5 por barril no Brent crude, que fechou na sexta-feira a $77,01. O West Texas Intermediate terminou a $73,84. Ole Hansen, do Saxo Bank, acrescentou que os preços poderiam abrir $4 a $5 mais altos se os traders desfizerem posições longas.

Desde 13 de junho, quando Israel lançou seu primeiro grande ataque a locais nucleares iranianos, o Brent crude subiu 11% e o WTI subiu 10%. Até agora, o movimento ascendente do petróleo tem sido limitado pela capacidade ociosa da OPEC e níveis de produção estáveis. Mas se o Irã mantiver Hormuz fechado e as tensões militares aumentarem, esses limites não durarão.

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